Era
uma vez um carroussel que crescia como um sonho virado
para o viaduto da vida. Perdia os seus momentos contemplando os entretantos
que faziam da sua vida uma pequena maravilha. A coisa maior que guardava
era um segredo, o qual não podia explicar a ninguém, mas,
pior ainda, não podia perceber.

O que era,
afinal, o segredo? Era simplesmente uma
lágrima que se guardava dentro de si próprio (tinha feito
dentro do seu corpo a sua casa, como diria o grande poeta Vinicius de
Moraes em Para Viver o Grande Amor). Não havia muito mais que
o poeta wanna-be, que se fazia de repente um ente sólido entre
este mundo e o próximo numa batalha que prometia nunca mais terminar
mas, como com todas as demais coisas impossíveis, tinha para
o seu fim um espaço e tempo reservado naquela mente imaginária
das crianças, que juntando as mais belas cores da vida e do mundo,
conseguia reservar um quarto de hotel no fim do mundo, para outro melhor
começar.
E, com isto,
o fim do mundo acontecia (existia?), ou não? Pois claro que sim.
Tudo tinha o seu tempo, mesmo ainda que não existisse nunca,
senão nas ideias das crianças. O que são afinal,
as crianças? São as mentes lavadas de preconceitos e que
conseguem, com olhos de ver, sentir, ver e ter tudo o que querem ao
seu alcance, incluindo, inclusivé, toda a sabedoria do mundo.
É óbvio
que toda a sabedoria, por vezes, é um caminho complexo e complicado
de percorrer. Mas a verdade é que o caminho existe sempre e está
sempre aí à espera que as complicações dos
pobres homens desvaneçam. E quem sabe, sabe. Quem não
sabe, aprende.
Quem já
há muitos anos sabe, não tem de ensinar, nem aprender.
Ao menos sabe. A sabedoria testada pelo tempo é a mais perduradora,
obviamente. A mais testada, clinicamente. A mais fiável. Como
o diamante erosado pelas sandálias inexplicáveis do tempo.
As palavras,
essas, encaixam-se, enquanto poderem existir no espaço-tempo.
Porque há uma linha, como um carroussel (ou um rio?) que se espalha
pela emoção fora.
Corre, corre
tempo, porque tu, tudo sabes.... E o poeta, o Eugénio de Andrade,
continuará sempre conosco. A prova é o tempo. E a razão?
Porque ele soube escrever.
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